Dom Murilo S.R. Krieger, scj
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Dia 18 último, a Universidade Católica do Salvador celebrou seu jubileu de fundação. Impossibilitado de transcrever aqui a palestra que dei naquela oportunidade, apresentando o tema: “Universidade: casa onde se busca a verdade”, destaco três pontos de minhas colocações.
Nosso olhar se volta para o passado – isto é, para o Povo Escolhido, que tinha uma rica experiência em matéria de celebrações. Era um Povo que sabia celebrar tanto grandes acontecimentos como momentos simples da vida cotidiana. O livro do Levítico, por exemplo, reproduz uma ordem dada pelo Senhor a Moisés, no alto do monte Sinai: “Fala aos israelitas e dize-lhes: Quando entrardes na terra que vos dou (…) contareis sete semanas de anos, ou seja, sete vezes sete anos, o que dará quarenta e nove anos. Então fareis soar a trombeta… Declarareis santo o quinquagésimo ano… Será para vós um jubileu” (Lv 25,2.8 e 10). Jubileu lembrava “júbilo”, alegria. Nessas ocasiões, ouvia-se, como mandara o Senhor, o toque da trombeta, convocando todos para uma grande celebração festiva. Como essa trombeta era feita de chifre de carneiro – “yôbel” –, a celebração passou a ser identificada com o nome de “jubileu”. Os jubileus eram celebrações que serviam para recordar que Deus é o Senhor de tudo; que os bens deste mundo são para todos; e que é preciso converter-se, para viver em plenitude o plano de Deus. Dessa tradição bíblica nasceu o costume, especialmente a partir do ano 1.300 dC, de fazermos na Igreja celebrações especiais a cada 25, 50 ou 100 anos. Da Igreja, esse costume passou para a sociedade em geral.
O jubileu de uma Universidade Católica é uma oportunidade para se estudar a relação entre a Igreja e a Cultura – essa última entendida como um modo particular pelo qual os homens e os povos cultivam a sua relação com a natureza e com os seus irmãos, consigo mesmos e com Deus, no desejo de alcançar uma vida plenamente humana. Para se revelar, entrar em diálogo com os homens e chamá-los à salvação, Deus escolheu, na rica variedade das culturas milenares nascidas do gênio humano, um Povo cuja cultura originária ele penetrou, purificou e fecundou. Hoje, a Igreja deve fazer o mesmo – isto é, transformar a realidade a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade. Trata-se, pois, de modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus. O Evangelho não se identifica com nenhuma cultura. Ele é independente em relação a qualquer cultura, embora seja anunciado a pessoas profundamente ligadas a uma determinada cultura. No trabalho evangelizador, a presença de uma Universidade Católica é de imenso valor, desde que ela assuma seu papel de dar testemunho claro do lugar único de Cristo, da Igreja e de tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor (cf. Fl 4,8).
Uma Universidade deve ser uma casa onde se busca a verdade. Mas, o que é a verdade? Não é preciso ser filósofo para reconhecer que o ser humano tende naturalmente para a verdade. Santo Agostinho testemunhou que nunca encontrou uma pessoa que gostasse de ser enganada. Para nós, cristãos, a verdade tem um nome e um rosto: Jesus Cristo. Nele, a verdade de Deus se manifestou plenamente. “Cheio de graça e verdade” (cf. Jo 1,14), Cristo é a “luz do mudo” (Jo 8,12), é a Verdade (Jo 14,6), como declarou a Tomé. Porque Jesus Cristo é a verdade, a verdade em si mesma está além de nosso alcance. Podemos procurá-la; devemos procurá-la; não teremos condições, contudo, de possuí-la totalmente; “é ela que nos possui e nos estimula” (Bento XVI). Por isso, não se pode pensar em um mestre que não cultive a virtude da humildade. Sem a humildade, seremos dominados pela vaidade, que nos fecha à verdade.
Como podem concluir, a UCSAL, além de ter uma bela história, tem uma grande missão para os próximos cinquenta anos…
Estou feliz com este grande evento “Jubileu da UCSAL”, esse 50 anos parabenizo a todos os envolvidos . Paz e Ben para esta comunidade do saber.