Ao vir para a 50ª Assembleia Nacional dos Bispos do Brasil, em Aparecida – SP, trazia um propósito em minha bagagem: fazer comunicados frequentes e, se possíveis, diários desta Assembleia, para o site de nossa Arquidiocese. Santa ingenuidade! Nem parece que participei das 28 assembleias anteriores! Afinal, não seria preciso muito esforço de memória para me lembrar que tais encontros episcopais são densos, exigentes e, mesmo, cansativos. Onde encontrar tempo para relatórios, sínteses e comunicados? Vejo, contudo, que minhas sínteses não farão falta. Afinal, diariamente informativos desta Assembleia aparecem em sites, em noticiários de TVs de orientação católica e em emissoras de rádio que estão nas mãos da Igreja. Assim, quem estiver interesse em acompanhar o que acontece por aqui, não terá dificuldade de fazê-lo.
Escrevo no dia 24 de abril, 7º dia da Assembleia. Se eu fizer uma lista de tudo o que já foi apresentado em plenário ou uma síntese de tudo o que já foi aprovado, meus (poucos, mas queridos) leitores ou ficarão cansados ao ler o texto que eu conseguir produzir ou pensarão que passamos esses dias sem dormir, para produzir tanto. A verdade é que aqui se trabalha, e muito. Sempre considerei que as assembleias nacionais da CNBB são imperdíveis, pois dão ao bispo um amplo painel do que está acontecendo no país e, particularmente, na Igreja. E há outro dado: nas chegadas e saídas do plenário, nos momentos das refeições e do cafezinho, nas reuniões de grupos de trabalho, recebe-se uma carga imensa de informações – informais, sim, mas não menos importantes. Fica-se sabendo, por exemplo, que é comum, na Amazônia, alguns bispos navegarem dois ou três dias rio acima para se encontrarem com alguma comunidade. O verbo “navegar” poderá dar aos menos avisados a impressão de uma viagem em transatlânticos confortáveis. Quisera! São barcos onde o cristão fica contente quando consegue encontrar dois pregos para pendurar sua rede e, ali, ficar vendo o tempo passar – além, naturalmente, de ver água, muita água. Um bispo que vive em regiões indígenas me falou que, em sua diocese, há índios de diversas tribos; se quisesse se comunicar pessoalmente com todos, precisaria aprender 18 línguas diferentes! Há bispos que têm um humor incrível. Seria interessante reproduzir aqui os “causos” que contam, ocorridos em suas dioceses, ou os fatos pitorescos, que só não reproduzo aqui porque não saberia fazê-lo com a graça com que foram contados. Como diz um amigo meu: “A gente ganha pouco, mas se diverte bastante!”
Uma assembleia como esta é, também, um grande retiro. Rezamos juntos, ao longo do dia, a Liturgia das Horas. Como a Eucaristia no início do dia, esses momentos são muito bem preparados e conduzidos. Constantemente são anunciadas intenções, para serem incluídas em nossas intenções: nestas horas, a dor de uma Diocese passa ser a dor de todos. Mas também ficamos a par de muita coisa bonita que acontece por este Brasil afora, e nos alegramos. Procuramos seguir a orientação do apóstolo Paulo, alegrando-nos com os que se alegram e chorando com os que choram.
Termino com a comunicação de uma decisão que está na linha da “preocupação com todas as Igrejas”, que deve ser própria de cada bispo. Ontem foi aprovada uma proposta muito interessante: como há Dioceses muito pobres, que não têm recursos nem para assumir as despesas com a formação dos futuros sacerdotes, as Dioceses que estão em melhores condições passarão a ajudar, mensalmente, as Dioceses mais necessitadas. É bom que você, da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, que oferece mensalmente o Dízimo, saiba disso: como 10% do que é ofertado às Paróquias é, depois, repassado para a Cúria, e dessa fonte a Arquidiocese tira recursos para manter nossos Seminários, você, Dizimista, é um benfeitor dos futuros padres. E, agora, passará a ser benfeitor de seminaristas também de outras Dioceses. Como é verdade que “Deus ama quem dá com alegria”, seu nome, amigo e amiga Dizimista, está profundamente inscrito no coração do Pai. Amém!
Dom Murilo, de Aparecida.